
Author: Fernanda Henriques
Publisher: Colibri
Year: 2016
Description:
Este livro de Fernanda Henriques coloca-se como resposta a uma interrogação que recorrentemente a tem perturbado e que retoma em muitos dos seus escritos: como foi possível uma dominação masculina tão forte que relegou as mulheres para a esfera dos não existentes? (…)Nele a autora propõe-se dar visibilidade às mulheres nos domínios da filosofia e da cultura, completando a pergunta inicial com outra que a reforça: “como pôde a dominação masculina ter sido aceite”? (p. 13). O que a leva a uma dupla abordagem: encontrar as razões desse silenciamento e mostrar que ele constituiu um obstáculo para o desenvolvimento de um pensamento feminino, não conseguindo no entanto impedir a sua manifestação. (…)E é em Paul Ricoeur que FH encontra o contexto legitimador da leitura que nos propõe, norteando-se pelo desafio de que é preciso relatar de um modo diferente a tradição filosófica (“raconter autrement”, p. 27). Esta orientação é aplicada às mulheres que ao longo dos tempos se dedicaram à filosofia. O que implica uma atenção permanente às condições culturais em que os seus contributos se inseriram, sem que no entanto se caia numa perspectiva histórica. Mais do que evidenciar o modo como as mulheres foram maltratadas pelos filósofos, a intenção deste livro é mostrar que apesar desta discriminação elas nunca deixaram de marcar a sua presença. Deste modo somos colocados perante uma desocultação. O que exige uma reconfiguração da filosofia e da sua história (p. 35), numa tentativa de desconstruir o padrão masculino ainda hoje visível. A temática ricoeuriana da relação entre memória e história marca toda a primeira parte e tem como objectivo essencial a construção de uma “justa memóra” (p. 37), ou seja, a reconciliação entre identidade e tempo, revisitando e reconhecendo o legado das filósofas. A norma do “raconter autrement” aplicada às mulheres e ao feminino consiste em dar às primeiras a possibilidade de se afirmarem como sujeitos de enunciação, prescindindo do olhar masculino que durante séculos foi protagonista exclusivo no campo da racionalidade.
Indice:
Apresentação
Prefácio – Mª Irene Ramalho
PRIMEIRA PARTE: Princípios hermenêuticos reguladores da leitura proposta neste livro
Capítulo 1: Porquê este livro?
Capítulo2: Em busca de uma legitimidade filosófica ou a relação Filosofia/História da Filosofia
Capítulo 3: Construir uma memória histórica: uma necessidade para os Estudos Feministas
Capítulo 4: É possível narrar o passado filosófico de outra maneira?
SEGUNDA PARTE: Subsídios para narrar de outra maneira a tradição ocidental
Introdução
Capítulo 1: Em busca de algumas raízes: Duas incursões interpretativas
1.1- A herança grega – as ambiguidades da cultura e da filosofia Gregas
1.2- A complexidade da concetualização das mulheres e do feminino na Idade Média: “teologização” da inferioridade feminina e da sua idealização
Capítulo 2: A Idade Moderna e a dimensão pública do debate pela cidadania no feminino
2.1 - Exploração da herança cartesiana
2.2 - A Revolução Francesa e a criação da Sociedade Moderna: inclusão e exclusão
Capítulo 3: As grandes mudanças paradigmáticas da segunda metade do século XX e a afirmação sistemática das mulheres no espaço público e no debate teórico como sujeitos de enunciação
3.1. A situação das mulheres-filósofas no mundo contemporâneo: questões e percursos
3. 2 - Em busca de uma epistemologia da racionalidade fecunda para os Estudos Feministas
3. 3 – Ganhar o espaço público: o sentido fundador da obra de Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo
3. 4. – A dificuldade de questionar os cânones: Luce Irigaray e a fundação do ‘pensamento da diferença sexual’
3. 5 - As filósofas contemporâneas e o questionamento das perspetivas tradicionais sobre a ética
BIBLIOGRAFIA