Fenomenologia e Política: Experiência, Poder e Métodos
Data: 25-07-2026 23:55
Conferência Internacional
Fenomenologia e Política: Experiência, Poder e Métodos
2–4 de dezembro de 2026
Universidade da Beira Interior
(Covilhã, Portugal)
Oradores confirmados:
Thomas Bedorf (Hagen)
Frank Chouraqui (Leiden)
Steffen Herrmann (Hagen)
Mariana Larison (Buenos Aires)
Ricardo Mendoza-Canales (Lisboa)
Delia Popa (Vilanova)
A relação entre a fenomenologia e a política tem sido, desde há muito, complexa e objeto de controvérsia. Embora Husserl tenha apresentado a fenomenologia como uma ciência rigorosa das essências, centrada nas estruturas da consciência e na epoché, sublinhou igualmente a inseparabilidade da experiência relativamente aos seus horizontes temporais, culturais e históricos. O seu rigor metodológico tem sido frequentemente interpretado como apolítico, privilegiando a clareza descritiva em detrimento do envolvimento com a vida coletiva. No entanto, fenomenólogos posteriores — de Merleau-Ponty, Sartre e Arendt a Fanon, Young, Levinas, Butler, Schutz e Derrida — demonstraram que estas estruturas de significação, intersubjetividade e experiência têm profundas implicações políticas. Os seus trabalhos mostram que a política não se concretiza apenas nas instituições, mas é também vivida, incorporada e experienciada, e que o poder, a legitimidade e as normas sociais são moldados tanto pela visibilidade como pelo ocultamento, tanto pela presença como pela ausência.
Esta conferência parte destas perspetivas para explorar a transformação recíproca entre fenomenologia e política: a fenomenologia ilumina os fenómenos políticos, enquanto as realidades políticas — desigualdades, conflitos e assimetrias de poder — reconfiguram a investigação fenomenológica. A conferência procura promover o diálogo sobre o modo como os mundos políticos se constituem, são contestados e se transformam através da experiência, das práticas sociais e do reconhecimento coletivo. Será dada especial atenção às dimensões relacionais e estruturais do poder, à constituição temporal e histórica da vida política e aos modos como a fenomenologia pode simultaneamente revelar estas realidades e ser reconfigurada por elas.
Ao colocar a experiência, as dinâmicas estruturais e a inovação metodológica no centro da reflexão, a conferência pretende criar um espaço de diálogo internacional entre investigadores que estudam a forma como a fenomenologia e a política se transformam mutuamente, contribuindo para a compreensão da autoridade, da legitimidade, da desigualdade e das dimensões vividas da vida política.
Aceitam-se propostas de resumos que abordem, entre outros, os seguintes temas:
Inovação metodológica: O modo como os métodos fenomenológicos evoluem quando aplicados aos fenómenos políticos e a forma como o envolvimento com as realidades políticas reconfigura os quadros conceptuais e analíticos.
Experiência e corporeidade: As dimensões vividas, corporais e afetivas da vida política, incluindo a confiança, o conflito, a solidariedade, a exclusão e a resistência.
Poder, presença e ausência: O modo como a visibilidade, o ocultamento e as assimetrias estruturais moldam a autoridade política, a legitimidade e as dinâmicas relacionais.
Ontologia política e estruturas: O modo como as condições sociais, institucionais, materiais e históricas constituem as realidades políticas, tornando-as inteligíveis, contestáveis e suscetíveis de transformação.
Dimensões temporais e históricas: A memória, a antecipação, a rutura e a abertura de futuros políticos.
Subjetivação, emancipação e capacidade de ação: O modo como as realidades políticas moldam a subjetividade, a identidade e a autocompreensão coletiva, e como estes processos informam a investigação fenomenológica.
Tecnologia e mediação: O papel da tecnologia, dos meios de comunicação e das infraestruturas comunicacionais na configuração da experiência política, da autoridade e da participação.
Normatividade e fundamentos epistémicos: O modo como a fenomenologia ilumina os quadros a partir dos quais emergem o conhecimento, a crítica e a compreensão políticas.
Abordagens interdisciplinares: Contributos da teoria política, dos estudos culturais, dos estudos dos media e da comunicação, ou de áreas afins, que examinem a influência recíproca entre política e fenomenologia.
São bem-vindas propostas de comunicações académicas que se enquadrem nas questões e preocupações da conferência acima delineadas. Cada participante disporá de 20 minutos para a apresentação, seguidos de 15 minutos para perguntas e discussão.
Os interessados deverão enviar um resumo com 400 palavras, acompanhado de uma breve nota biográfica que inclua o nome completo, a afiliação institucional e uma biografia sucinta (100 palavras), para o endereço phenomenologyandthepolitical@gmail.com, até 25 de julho de 2026.
As notificações relativas à decisão serão enviadas por correio eletrónico até 1 de setembro de 2026.
A conferência foi concebida como um evento presencial de dois dias, mas, caso o número de propostas de qualidade exceda as expectativas, poderá ser acrescentado um terceiro dia. A língua de trabalho da conferência será o inglês.
A participação não está sujeita ao pagamento de qualquer taxa de inscrição. A organização não poderá suportar os custos de deslocação ou alojamento.
Para mais informações ou esclarecimentos, os interessados deverão contactar a organização da conferência através do endereço de correio eletrónico acima indicado.
Organização: Albano Pina e Janilce Praseres (PRAXIS/UBI)